segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

" ...o problema é que nós sempre confundimos a ideia de amor com apego


sabe, nós imaginamos que o apego e o agarramento que temos em nossas relações demonstram que amamos,


quando na verdade, é só apego que nos causa dor.


porque quanto mais nos agarramos, mais temos medo de perder.


e então se nós, de fato, perdermos, vamos sofrer.


o que quero dizer é que o amor genuíno é...


bem, o apego diz: “ eu te amo, por isso quero que você me faça feliz.”


e o amor genuíno diz: “ eu te amo, por isso quero que você seja feliz.”


“ se isso me incluir, ótimo! “


“ se não me incluir, eu só quero a sua felicidade.”


é portanto um sentimento bem diferente.


sabe, o apego é como segurar com bastante força.


mas o amor genuíno é como segurar com muita gentileza, nutrindo, mas deixando que as coisas fluam.


não é ficar preso com força.


quanto mais agarrarmos o outro com força, mais nós sofreremos.


porém é muito difícil para as pessoas entenderem isso,


porque elas pensam que quanto mais elas se agarram a alguém,


mais isso demonstra que elas se importa com o outro.


mas não é isso.


elas realmente estão apenas tentando prender algo


porque elas têm medo de que se não for assim,


elas é que acabarão se ferindo.


qualquer tipo de relacionamento no qual imaginamos que poderemos ser preenchidos pelo outro


será certamente muito complicado.


quero dizer que,


idealmente, as pessoas deveriam se unir já se sentindo preenchidas por si mesmas


e ficarem juntas apenas para apreciar isso no outro, em vez de esperar que o outro supra essa sensação de bem estar que elas não têm sozinhas.


e isso gera muitos problemas.


e isso junto com toda a projeção que vem do romance,


em que projetamos nossas ideias, ideais, desejos e fantasias românticas sobre o outro,


algo que ele nunca será capaz de corresponder.


assim que começamos a conhece-lo, reconhecemos que o outro não é o príncipe encantado ou a cinderela...é apenas uma pessoa comum, também lutando.


e a menos que sejamos capazes de enxerga-las, de gostar delas, e de sentir desejos por elas


e também ter bondade amorosa, e compaixão, será um relacionamento muito difícil. "


Monja Jetsunma Tenzin Palmo

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Prazer! Sou a Lua Carolina....



Ela é dessas que

Abraçam travesseiros


Abraçam as pessoas queridas

Pelo mesmo motivo, o gosto pelo sonhar

Ela é dessas que

Às vezes se sentem sozinhas

Mesmo quando cercada por pessoas

Mas ama estar acompanhada pela lua

Ela é dessas que

Apesar da dor provocada pelo fim

Sempre enxerga um recomeço atrás das nuvens

E não prolongam as tristezas

Ela é dessas que

Não escondem a idade, os erros e o riso

Ela é dessas que

Cantam alto, falam com as mãos e derrubam os objetos

Ela é dessas que

Esquecem que uma pessoa é bonita por fora

E ficam colecionando detalhes do lado de dentro

Ela é dessas que

Não culpam o amor por não ter dado certo

Pegam carona nas decepções

E vão em busca do amor

Sempre

Ela é dessas que...


Zack Magiezi


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Um dia as pessoas morrem na gente

É isto, nada além: um dia as pessoas morrem na gente. Pode ser um amigo que parece não se importar mais ou então aquele que telefona só quando quer ajuda, um amor que gastou todas as chances que tinha e nem toda dedicação do mundo comoveu, um primo de longe, qualquer um. Pode ser a criança que um dia morou dentro da gente, o sujeito que viajou pra longe sem dar adeus ou dizer que ia ou o visitante que chegou e nem ao menos um oi. Um dia as pessoas morrem na gente. Pode ser um dia qualquer, como hoje ou ontem ou a terça passada, um dia de agosto ou no meio do carnaval, um dia de formatura ou até no ano novo, um dia de vento sul ou calor dos infernos, de vestido curto ou jeans surrado, de boca nervosa ou falta de apetite, de cabelo desgrenhado ou os cachos no lugar. Um dia as pessoas simplesmente morrem na gente, e a gente esquece as tardes divertidas que passou no boteco, a esperança que alimenta quando ainda não viveu muito, a promessa de nunca esquecer; a gente esquece que um dia quis ficar junto pra sempre, que jurou um monte de coisas, que registrou em fotografias uma penca de momentos bonitos, que acreditou em tudo ou, exatamente como o Chico ensinou naquela canção, que ajeitou o nosso caminho pra encostar no caminho do outro. A gente faz força pra esquecer, porque sabe que precisa. A gente faz força pra esquecer, porque sabe que precisa. É isto, nada além: um dia as pessoas morrem na gente, embora continuem vivinhas da silva.

Ana Laura Nahas



terça-feira, 4 de agosto de 2015

MEREÇO ALGUÉM QUE SOME E NÃO SUMA


Mereço alguém que não abandone a conversa mesmo quando não mais tiver assunto pra continuar. Alguém que faça questão de sentar ao meu lado, que reverse o olhar, o abraço e a vida pra mim, que sempre encontre um espaço e um tempo pra me encaixar mesmo que a rotina seja bagunçada e o tempo curto demais. Alguém que confira se tranquei as portas, e se desliguei o café porque eu sempre esqueço. Alguém que saiba que amar não é obrigação, que zelar é um gesto importante e que o amor não se acaba com os erros. Alguém que tenha paciência comigo, que aceite o meu atraso porque sempre fui indeciso em escolher a melhor roupa pra não fazer feio. Alguém que entenda a minha mania de ansiedade. Alguém que apareça com um par de ingressos pro show do Nando Reis, que me leve pro cinema sem data ou hora marcada, que me faça bem, que me tire da cama e me apresente aos lugares, aos amigos e ao mundo. Alguém que me abrace mesmo suado, que me beije de manhã cedo sem pensar em bafo, que acaricie minha nuca e que, ao mesmo tempo em que me olha, diz com um só sorriso que sou importante sim.

Mereço alguém que me encare quando eu estiver distraído, que sorria da minha cara de preocupado e de assustado, que me ligue pra narrar o seu dia, que encoste o ombro no meu peito enquanto faz frio e o filme passa. Alguém que não precise de mim apenas nos piores momentos, mas que precise de mim sempre. Alguém que não tenha vergonha, nem orgulho, que some e não suma, que fique e não desapareça, que me entorte a cara se eu disser bobagem mas que, ao menos, me permita dar um beijo como desculpas. Alguém que me faça sorrir sem se preocupar, nem se importar se meu cartão de crédito está no vermelho ou se vou ter que pagar duas cadeiras na faculdade. Alguém que me faça esquecer os problemas só em sorrir pra mim e que me deixe com aquela sensação ao voltar pra casa de que o meu dia está ótimo mesmo quando esteja uma droga. Alguém que encontre nos piores momentos uma lição, e que nos melhores momentos encontre sempre um bom exemplo pra melhorar nossa relação. Não mereço alguém que não sabe o que quer, mereço alguém com certezas. Mereço alguém que seja sincero comigo e principalmente, que se entregue por inteiro porque eu não estou aqui pra receber metade de ninguém.

Não mereço alguém de conversa mole, que enrole, com meias palavras e cheia de desculpas. Não mereço alguém que me dê mais perguntas do que certezas, que seja a causa e não a solução pros meus problemas. Mereço alguém que troque seu domingo de praia por um domingo em casa, que acorde tarde e que use os meus chinelos sem se importar se são dez vezes maiores que seu pé. Alguém que repare o tempo mas que não tenha medo dele, que tenha mania de ler as noticias dos jornais só depois de ter lido o horóscopo do dia na página seis. Alguém que largue as roupas pela casa, que estenda a toalha no varal meio bagunçada, que se sinta bem comigo e que mesmo me mandando pro inferno, me procure. Alguém que chegue logo, que sempre adie a hora de ir, que fique pra agora e que vá só depois que a saudade se acalmar só um pouquinho. Alguém que não desista de mim e que me faça sentir que sou realmente importante e necessário.

Iandê Albuquerque

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Respire fundo pelo gato que, depois de anos sendo maltratado, graças a uma pessoa boa, agora pesa muitos quilos a mais, recebe cafuné ilimitado e dorme, todas as noites, em uma almofada macia. Respire fundo pela criança que, após tomar chuva pela primeira vez, sorri maravilhada com a simplicidade que cai do céu. Respire fundo pelos tantos bolos de cenoura feitos por avós memoráveis que, neste exato momento, estão no forno (os bolos, não as avós). Respire fundo pelo amor à primeira vista (aquele que nos faz dar com a cara no poste) e também pelo amor à milésima vista (aquele que cresce a cada dia de convivência). Respire fundo pelo amigo que, sem saber como agir, tenta fazer piada para evaporar o seu choro. Respire fundo pelos olhos deliciosamente arregalados das mulheres que recebem flores, chocolates e beijos na pontinha do nariz. Respire fundo pela criança que, ansiosa para pular sobre a cama, não para de perguntar se está chegando ao hotel. Respire fundo pela inevitável insistência das mães que não nos deixam, nem depois de adultos, esquecer a blusa em casa. Respire fundo pelo café que já está a cheirar e que logo estará em sua caneca preferida. Respire fundo por cada abraço que, acolhedoramente, insiste em não soltar você. Respire fundo por aquele que, como se fosse a maior das estrelas do rock, agora canta em um karaokê qualquer, mesmo sem plateia. Respire fundo pelas mãos que, mesmo cansadas, continuam a massagear pés e a arrepiar espinhas.

Respire fundo pelos beijos apressados que logo viram nudez e pelo riso envergonhado que damos quando os nossos dentes, sem querer, colidem com os dentes de quem nos beija. Respire fundo pelas vezes que comeu, sem nenhum recheio, massa de panqueca. Respire fundo pelas pizzas frias e amanhecidas que, estranhamente, parecem mais gostosas do que qualquer pizza quente e recém-feita. Respire fundo pela camiseta (velha e desbotada) que você, de tanto que gosta, faz questão de usar em todo sábado. Respire fundo pelo casal de velhinhos que desafiou a eterna insatisfação da nossa época e, desde 1978, ainda não enjoou de dormir de conchinha. Respire fundo pela cicatriz que, como uma lembrança tatuada em sua pele, faz com que você se lembre do esplêndido passado no interior e de uma linda jabuticabeira. Respire fundo pelo caipirinha inigualável do seu tio. Respire fundo pela sua barriguinha de chope que, ao contrário do que dizem por aí, é apenas reflexo – e motivo de orgulho – das maravilhosas experiências que você já viveu. Respire fundo pelos poemas do Mario Quintana e pelas frases da Clarice Lispector que, em muitos casos, nem dela são. Respire fundo pelas estrelas que ainda estão lá, escondidas atrás da poluição. Respire fundo pela Coca-Cola bem gelada dentro de uma garrafa de vidro e pelas cervejas, mais geladas ainda, servidas em copos americanos. Respire fundo pelos dias em que você, desprovido de culpa, faltou à academia. Respire fundo pelo tesão que parece bem maior quando estamos no mar, em dias de sol. Respire fundo pelas tantas séries boas que estão passando na tevê. Respire fundo pela viagem que fará no final do ano. Respire fundo pela cebola do Outback. Respire fundo pelo beijo que bate na trave e enche de vontade. Respire fundo pelos riffs dos Rolling Stones e pelos solos do Slash. Respire fundo pelo sol que logo nascerá e pela lua amarela que nos obriga, sempre que surge, a olhar para cima. Respire fundo por ter conseguido tirar a foto no exato momento do pulo. Respire fundo, pois o mundo, acredite se quiser, está abarrotado de coisas incríveis.




Ricardo Coiro